quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Resumo do Filme Escritores da Liberdade

ESCRITORES DA LIBERDADE: Gênero: Drama. Direção e Produção Richard Lavagranese. Roteiro: Richard Lavagranese e Erin Gruwell. EUA/Alemanha, 2007.



O filme Escritores da Liberdade relata um drama baseado em fatos reais, de uma professora do 1º ano, que leciona na periferia de Los Angeles/EUA. Sua turma composta é por adolescentes que possuem em seu contexto histórico, social, cultural, uma infância frustrada, marcada pelo medo e que cresceram desacreditados na vida, apresentam situações de conflitos entre raças nos bairros pobres de Los Angeles.

O filme Escritores da Liberdade apresenta em três momentos: o primeiro momento uma professora recém-formada demostra a alegria em, finalmente, poder se dedicar a atividade de sua formação, que era  seu sonho. O segundo momento destaca todas as frustrações e desafios nos quais ela passa na tentativa de realizar um trabalho docente significativo. O terceiro e o mais interessante momento enfatizam as conquistas alcançadas com a turma, os frutos colhidos, diante do seu esforço e perseverança.

A professora  Gruwell assume a turma do 1º ano do Ensino Médio, para lecionar as disciplinas de Inglês e Literatura cheia de desejo e de vontade de colocar em prática tudo que aprendeu nos anos de estudo. No entanto, encontra com uma série de problemas: violência, desmotivação, indisciplina e discriminação. A maioria dos alunos vinha de uma condição social violenta, a maioria pertencia a gangues, pertenciam a famílias desestruturadas e, eram  excluídos dentro e fora da escola. 

Com esse histórico, esses alunos sem uma boa perspectiva de vida, tiveram a grande oportunidade de encontrar em sua caminhada escolar uma professora que embora com pouca experiência pelo fato de ter acabado se se formar, mas com bons fundamentos teóricos e, com muita motivação para enfrentar os desafios, buscou dar significado aquela triste realidade.

Inicialmente, Gruwell se depara com problemas de ordem metodológica, visto que o que ela planejava desenvolver não era significativo para a turma, não tinha valor algum na vida deles, o que levava à desmotivação dos mesmos e por conta disso levavam a sérios problemas de indisciplina. Portanto, ela consegue reverter àquela dolorosa realidade buscando novas alternativas, pois era flexível e consciente. Assim, na tentativa de desenvolver um trabalho que se aproximasse da realidade dos alunos, elabora aulas dinâmicas utilizando à música, jogos, a fala dos alunos e a literatura como recursos metodológicos, elevando a autoestima e fazendo perceber a si próprios, a vida e o mundo de maneira diferente.

Após conseguir avanços e despertar à atenção da turma ela decide conhecer a história de vida de cada um de seus alunos. A partir daí passa a trabalhar valores e sentimentos, sensibilizando-os para uma série de questões como: discriminação, preconceitos e tolerância, o que veio a diminuir significativamente a violência na sala de aula, possibilitando uma maior integração dos alunos nas aulas e um olhar diferente diante da realidade vivenciada.

A professora Gruwell também encontra a falta de apoio da direção e coordenação pedagógica da escola, Porém, não se deixa abater e desenvolve propostas pedagógicas inovadoras com a turma, investe em leituras significativas, ou seja dentro do contexto vivenciado pelos alunos  através do projeto literário com o livro “Diário de Anne Frank”. Esse projeto envolvia atividades como a construção de um diário, no qual os alunos escreveriam sobre as coisas boas ou ruins vivenciadas; aulas passeios a espaços culturais; escrita de cartas para a Miep Gies, “a senhora que deu abrigo a Anne Frank”, culminando com uma visita da mesma à instituição de ensino.

Através desse projeto os alunos deram um salto qualitativo no processo de ensino/aprendizagem, passaram a ser construtores de conhecimento e de sua própria história. As produções literárias dos alunos resultaram em um livro intitulado “O Diário dos Escritores da Liberdade”, e foi lançado em 1999 nos Estados Unidos.

Através desse filme, podemos  refletir sobre os fatores que contribuem para indisciplina e a violência na escola; discutimos sobre as atitudes dos professores que venham a contribuir para a melhoria da relação professor-aluno e analisar o papel da escola frente aos problemas de convivência dos alunos no âmbito escolar.

Nesse sentido os fatores que contribuem para a indisciplina e a violência na escola, aponta o filme que as condições sociais e culturais são fatores determinantes, o que ao nosso vê foi muito bem destacado.

No que se refere às atitudes dos professores x aluno o filme mostra que um dos caminhos para que a escola avance, é justamente procurar criar maior possibilidade de discussão e diálogo com os jovens, em prol do desenvolvimento e resgate de valores, em que o respeito à diversidade e a tolerância, sejam vistos como condições fundamentais para se viver .O que foi muito bem enfatizado no contexto das relações entre professor e aluno no filme Escritores da Liberdade.

Nesse contexto vale ressaltar que para que a aprendizagem seja significativa é necessário que haja por parte do professor um estudo das condições de vida que seus alunos levam. Como vivem? De que vivem? Ou seja é necessário que a grade de conteúdo seja aplicada mas de forma significativa. O que adianta o aluno saber fazer contas se ele não utiliza isso no dia a dia. O professor necessita ser mediador da situação e mostrar que ele vai utilizar de contas na hora do troco, da compra etc.

Fazendo uma relação da minha docência com o filme Escritores da Liberdade eu tinha um aluno chamado Joselito que morava em um assentamento. Era um menino muito indisciplina estava cursando o 5° ano do ensino fundamental e o mesmo não sabia ler e nem escrever. Não fazia nem sei nome, a única coisa que fazia era bater nos colegas e roubar a merenda na cantina, um dia depois que levei uma cadeirada dele fiquei intrigada com a situação e fui buscar saber como era a sua vida fora da escola: Descobri que era o oitavo filho o mais novo e que sua mãe era prostituta e levava os clientes para dentro de casa, seu pai era muito brava pois era casado e sabia que a mulher fazia vida para ajudar no sustento da casa. Ele era revoltado com a situação pois não aceitava ver a mãe gemendo com outro enquanto seu pai ficava plantando quiabo. Depois disso comecei a dar mais atenção e carinho para ele, levava tarefas de pinturas para ele e comecei o processo de alfabetização. Em quatro meses ele começou a escrever seu nome, mas seu comportamento ainda variava muito. Pois nos dias que ele apanhava ou via o relatado acima ele chegava na escola nervoso e agressivo nos dias que a mãe não tinha cliente ele chegava sorridente.

Resenhado por Fernanda Elainne Andrade Freire e Creusa Martins Souza

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