domingo, 29 de julho de 2012

A saga do rio dos contos



“Hô Sinho”, venho aqui te falar,
De um moço viajado que correu um bocado,
Nasceu na Serra da Tromba,
Lá pros lado de Piatã,
Passou na cidade de Dom Basílio, Tanhaçu e Jequiié,
Onde deu banho em muitos “cabocos”, “Criança” e “muier”,
Que até hoje tá de pé,
Correu ele ainda por Jitaúna, Ipiaú, Itagibá, Barra do Rocha,
Ubatã, Ubaitaba e Aurelino Leal,
Diz ainda o povo por lá,
Que camarada feito ele, nunca viu igual,
Mas, ele sempre deixou bem claro,
Que sua viagem tinha destino marcado,
E nem adiantava ficar chatedao,
Sua foz tinha que desaguar no “Atrantico”,
Mas ele disse também
Que não ia ficar sempre longe não,
Porque ele é amigo, ele é irmão,
Por isso ele desembocaria ali, nas marés,
Na cidade bonita de Itacaré,
Outro dia eu tava no alto no alto feito gavião,
Era levado pelas asas de um avião,
Ele tava”magrin”, desnutrido,
Doeu um bocado vê ele assim,
Ele, que corria ligero,
Era “limpin” e sem graça,
Parece resto de cachaça esquecido nun bar,
Perguntei: meu amigo que faço para lhe ajuadr?
Ele disse: chama o povão de toda região,
Pedi pra tirar o lixo e deixar o esgoto na mão,
De um metro em sim, um metro não,
Vai demorar,
Mas só assim eu volto a engordar,
Tá certo meu amigo, vó passar a informação,
E tenho certeza que tu voltarás a ser meu Rio de Contas,
Meu ribeirão.

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